ceilândianiverA maior região administrativa do DF tem 489,3 mil habitantes. Os que estão há mais de 15 anos na cidade somam 64% dos moradores

 

Por Maria Eugênia, para o Portal Metrópoles

Brasília, 27 de março - Com 489,3 mil habitantes, Ceilândia, a maior região administrativa do DF, celebra nesta segunda-feira (27/3) 46 anos de fundação. A cidade, que nasceu com a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI), depois de o então governador Hélio Prates da Silveira constatar que a existência de áreas irregulares era um dos maiores problemas sociais da capital do país, tem vida própria. Quem escolheu a RA para viver não se arrepende.

Caso da servidora pública Eliete Gomes, 43 anos. “Nasci e criei meus filhos aqui”, conta ela, que já tem duas netas. “Não precisamos sair daqui para nada. A cidade nos oferece de tudo e, apesar da sua grandeza, vivemos num clima de cidade do interior”, afirma. Questionada sobre a violência na região, ela é categórica: “Bandido tem em todo lugar”.

Ceilândia surgiu em 1971, quando mais de 17 mil lotes foram demarcados em uma área ao norte de Taguatinga, para a transferência de moradores de invasões. Em 27 de março daquele ano, foi lançada a pedra fundamental da nova região, no local onde está a Caixa D’água.

Perfil

Embora consolidada em sua parte mais antiga, chamada de tradicional, a cidade tem problemas. Ceilândia conta com áreas novas e abriga as duas maiores favelas do DF: Sol Nascente e Pôr do Sol. Além delas, a cidade está dividida em Ceilândia Norte, Ceilândia Centro, Ceilândia Sul, Guariroba, Setor O, Expansão, P Norte, P Sul, QNQ e QNR.

Os que estão há mais de 15 anos na região somam 64% dos moradores. A média de moradores por domicílio urbano é de 3,44 pessoas, com 37,33% dos moradores trabalhando na própria região, o significa que 54 mil pessoas não precisam se deslocar até outra região para o trabalho. Do total de habitantes, 46% estão na faixa etária de 25 a 59 anos. As crianças, na faixa de zero a 14 anos representam 21% e os idosos, 17%. No Pôr do Sol e Sol Nascente, as crianças são 28% e os idosos, 7%.

Os exemplos de amor à cidade se multiplicam a cada ano. O Metrópoles mostrou dois deles em reportagem especial. Há três anos, surgiram marcas de moda que têm Ceilândia como inspiração. O orgulho de ser ceilandense está declarado nas letras dos raps, no cinema e, agora, também, nas roupas.
Bonés e camisetas estampam o amor dos moradores pela cidade. Na maioria das coleções, o corte das roupas e o estilo dos acessórios são inspirados na cultura do hip hop e nos times de basquete americanos. O rapper Japão, por exemplo, criou uma loja há cinco anos para divulgar o trabalho do seu grupo Viela 17.

E foi esse amor pela cidade mais populosa do DF que Max Maciel e outros colegas, todos integrantes da Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas) e do grupo Jovem de Expressão, também decidiram produzir camisetas e bonés homenageando Ceilândia. As primeiras peças com a estampa I Love Cei foram produzidas em 2010: 15 camisetas apenas para o grupo.

A ideia fez sucesso. Virou assinatura de e-mail, de documentos, viralizou e chamou a atenção dos admiradores de Ceilândia. Desde 2013, então, a produção de bonés e camisetas começou para o público em geral.

Verticalização

O diretor de Estudos Urbanos e Ambientais da Companhia de Planejamento (Codeplan), Aldo Paviani, destaca que Ceilândia passa por um processo de verticalização, com a construção de muitos prédios, principalmente residenciais. “Dados de 2013 mostram que o número de apartamentos perfaz 26% das moradias, e que a cidade é bem servida de equipamentos urbanos quando se olha a chamada Ceilândia tradicional, que representa a parte mais consolidada da RA.

Paviani acrescenta ainda que houve desdobramentos de campos universitários, uma referência à instalação de um campus da Universidade de Brasília (UnB) na região, o que facilitou o acesso da população a cursos superiores, especialmente os cursos voltados à área da saúde, apesar de mais da metade do contingente populacional ter somente o ensino fundamental completo e o médio incompleto.

No que diz respeito à ocupação remunerada, o setor que mais se destaca na cidade é o comércio, 32,60%, seguido por serviços gerais, 21,69%. De acordo com a pesquisa, 60,09% dos trabalhadores têm carteira assinada, e 44,94% da população exerce alguma atividade remunerada.